A importância da Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação para o setor elétrico 

Desde os avanços da eletricidade no século XIX, quando os cientistas Benjamin Franklin, Alessandro Volta e Michael Faraday lançaram os fundamentos da eletricidade, o setor elétrico tornou-se um dos principais motores do desenvolvimento da sociedade. Com o passar do tempo, a energia elétrica deixou de ser apenas um instrumento para o progresso industrial para se tornar um elemento essencial na vida moderna. 

Hoje, com o advento da globalização e de um sistema cada vez mais hiperconectado, a energia está presente em todas as esferas da vida, sustentando atividades privadas, serviços públicos e a dinâmica econômica como um todo. Portanto, conclui-se que sem a energia elétrica não existe comunicação, produção ou inovação em escala.

Diante dessa relevância, o setor elétrico brasileiro precisa continuar em constante evolução para suportar os avanços da tecnologia no mundo. Para isso, existem estímulos regulatórios à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D), estruturados por meio da regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Esses instrumentos têm como objetivo promover ganhos de eficiência, aumentar a confiabilidade do sistema, impulsionar a inovação tecnológica e preparar o setor para os desafios da transição energética e da digitalização.

Papel da regulação na inovação e desenvolvimento do setor elétrico

A Agência Nacional do Setor Elétrico (Aneel) exerce um papel central na modernização e no fortalecimento do setor elétrico nacional ao atuar como órgão regulador, que vai além da fiscalização e da definição de regras a serem seguidas, mas também cria instrumentos que estimulam a eficiência, a inovação tecnológica e a melhoria contínua dos serviços prestados à sociedade. 

Um dos principais pilares da estratégia do programa Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D) da ANEEL é direcionar investimentos obrigatórios das concessionárias, permissionárias e autorizadas do setor elétrico para projetos voltados à geração de conhecimento, ao desenvolvimento de novas tecnologias e à solução de desafios estruturais do setor. Por meio desse mecanismo, os projetos saem do papel e se transformam em aplicações práticas. 

Os projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação são uma forma de garantir que as necessidades do país estejam sendo atendidas, como a expansão de fontes renováveis, a digitalização das redes, a eficiência energética e o fortalecimento da segurança e da confiabilidade do sistema elétrico. Dessa forma, a ANEEL, como agência reguladora, se torna um vetor do desenvolvimento do setor.  

Etapas de um projeto de P&D

Os projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D) no setor elétrico seguem a estrutura (TRL – Technology Readiness Level) e de maturidade de manufatura ou processo (MRL – Manufacturing Readiness Level), com o objetivo de entender a maturidade tecnológica do projeto.  Estes níveis ajudam a indicar em que estágio uma solução se encontra, desde a ideia inicial até a produção consolidada no mercado, trazendo mais clareza para decisões de investimento, gestão de riscos e planejamento de implementação.

Nos níveis iniciais, que vão da ideação à prova de conceito (níveis 1 a 3), o foco está na construção do conhecimento e na validação dos princípios básicos. Em TRL, isso significa observar e comprovar cientificamente os fundamentos da tecnologia e demonstrar, de forma analítica ou experimental, que os conceitos funcionam. Em MRL, essa fase envolve a definição do conceito de manufatura e a demonstração inicial de que o processo pode “funcionar”, ainda que de forma embrionária e em ambiente controlado.

A partir dos níveis intermediários, que incluem otimização, prototipagem e escalonamento (níveis 4 a 6), a tecnologia e o processo começam a ganhar forma prática. No TRL, os componentes e sistemas passam a ser validados em ambientes de laboratório e, depois, em ambientes relevantes, já com configurações mais próximas das finais. No MRL, o foco está em demonstrar a capacidade de produzir protótipos e subconjuntos em ambientes representativos de produção, ainda em fase de testes e sem atingir a escala final.

Por fim, nos níveis mais avançados, demonstração em ambiente operacional, produção e produção continuada (níveis 7 a 9), a solução atinge sua maturidade plena. Em TRL, o sistema completo é testado, qualificado e demonstrado em ambiente operacional real, até ser considerado plenamente operacional. Em MRL, ocorre a implementação da produção, a otimização de custos e, finalmente, o uso do produto em toda sua extensão e escala, com a produção já estabelecida e consolidada. Esse estágio marca a transição definitiva da inovação do laboratório para o mercado e para a operação do setor elétrico.

Fonte: Aneel, 2026.

Plano Quinquenal de investimentos do setor elétrico 

Criado em 2023, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o PEQuI (Plano Quinquenal de investimentos do setor elétrico) define prioridades na produção de inovação no setor elétrico entre o período de 2024 a 2028. A iniciativa tem como objetivo orientar a aplicação de recursos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D), alinhando os investimentos às principais transformações tecnológicas, econômicas e regulatórias do setor elétrico brasileiro.

Para cumprir esse papel estratégico, a Aneel definiu sete temas prioritários que devem concentrar os investimentos nos próximos anos:

  1. Modernização e modicidade tarifária;
  2. Eletrificação da economia e eficiência energética;
  3. Inovações para transmissão e distribuição e novas tecnologias de suporte (inteligência artificial, realidade virtual e aumentada e Blockchain);
  4. Digitalização, padrões, interoperabilidade e cibersegurança;
  5. Eletricidade de baixo carbono;
  6. Armazenamento de energia;
  7. Hidrogênio.

O plano integra os Procedimentos do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PROPDI), que funcionam como um guia determinativo de empresas reguladas pela ANEEL. Dessa forma, o plano organiza e direciona a execução de projetos de P&D, reforçando o papel da inovação como instrumento estratégico para o futuro do setor elétrico. 

Congresso de Inovação na Distribuição de Energia (CIDE)

Neste contexto de inovação no setor elétrico, o Congresso de Inovação na Distribuição de Energia (CIDE) abre chamada para submissão de artigos técnicos para apresentação durante a conferência, a ser realizada nos dias 10 e 11 de junho de 2026. Os trabalhos são guiados por temas do PEQuI, criado pela ANEEL e oferece a oportunidade para profissionais e acadêmicos de mercados discutir as soluções para o segmento de distribuição de energia no Brasil.

Os interessados em participar do Congresso deverão enviar o seu trabalho até o dia 15 de março de 2026. Acesse pelo link: https://cidebrasil.com.br/inscreva-seu-trabalho/