ABNT NBR 5419: a história de 80 anos da norma que protege o Brasil contra raios (e o que muda em 2026)

Toda instalação elétrica exposta a descargas atmosféricas no Brasil é, hoje, regida por uma norma que levou quase oito décadas para chegar ao formato atual: a NBR 5419. Antes de ser referência técnica para projetistas de SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas), o documento passou por transformações que acompanharam a própria evolução da engenharia elétrica no país, e a revisão que entra em vigor em 2026 é a mais recente dessa longa trajetória.

Entender essa evolução ajuda a interpretar não só o que mudou a cada revisão, mas por que a NBR 5419 chegou onde chegou.

Linha do tempo da NBR 5419

  • Décadas de 1940-1950: NB-165, o primeiro documento brasileiro sobre o tema, inspirado em normas belgas
  • 1977: Nasce oficialmente a NBR 5419
  • 1993: Incorporação de referências da IEC 61024
  • 2015: Maior reformulação da norma, dividida em quatro partes e alinhada à IEC 62305
  • 2026: Nova revisão, com mudanças em critérios técnicos, análise de risco, valores de NG e regras de transição

NB-165: o ponto de partida da proteção contra descargas atmosféricas no Brasil

A origem da norma remonta às décadas de 1940 e 1950, período em que foi elaborada a NB-165. Inspirada em normas belgas, ela foi o primeiro documento brasileiro dedicado ao tema e marcou o início da normalização da proteção contra descargas atmosféricas no país. Ainda distante da estrutura técnica atual, a NB-165 lançou as bases sobre as quais as revisões seguintes seriam construídas.

1977: nasce a NBR 5419

Décadas depois, o documento é reformulado e passa a se chamar oficialmente NBR 5419. A nova versão amplia o conteúdo técnico e confere à norma um caráter mais robusto, acompanhando o avanço da engenharia elétrica no período.

1993: a NBR 5419 se aproxima da IEC 61024

Em 1993, a norma passa a incorporar referências da IEC 61024, movimento que aproxima o Brasil dos padrões técnicos discutidos internacionalmente. Essa atualização abre caminho para a reformulação mais profunda que viria duas décadas depois.

2015: a maior reformulação da norma

A revisão de 2015 representa o ponto de maior mudança na história da NBR 5419. Ela divide o documento em quatro partes e o alinha à IEC 62305, trazendo conceitos até então ausentes da regulamentação brasileira, como a análise de risco estruturada e critérios específicos de proteção interna. A partir dessa versão, a norma se aproxima do formato que ainda hoje orienta projetistas e instaladores de SPDA.

ABNT NBR 5419:2026: o que muda na nova revisão

Em 2026, entra em vigor uma nova revisão da NBR 5419, com mudanças em critérios técnicos, na metodologia de análise de risco, nos valores de NG (densidade de descargas atmosféricas para a terra) e nas regras de transição para projetos em andamento. As alterações afetam diretamente a forma como sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) e medidas de proteção contra surtos (MPS) devem ser dimensionados e especificados.

Conhecer essa evolução é importante não apenas para acompanhar o que mudou a cada revisão, mas para compreender o que essas mudanças significam na prática.

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