As distribuidoras de energia elétrica brasileiras deverão investir cerca de R$ 260 bilhões até 2030 em projetos de modernização, digitalização e aumento da resiliência das redes. O número foi apresentado pela presidente da Abradee, Patrícia Audi, durante a abertura da terceira edição do Congresso de Inovação na Distribuição de Energia Elétrica (CIDE), realizado nos dias 10 e 11 de junho, em São Paulo.
Segundo a executiva, os investimentos refletem a necessidade de preparar o sistema elétrico para uma rede cada vez mais digital, resiliente e capaz de acompanhar o crescimento da demanda, da geração distribuída e da eletrificação da economia.
“A inovação precisa estar no centro da estratégia das distribuidoras e ser percebida pelos consumidores como um diferencial que gera mais qualidade, confiabilidade e eficiência no fornecimento de energia”, afirmou.
Realizado com recorde de público, o CIDE reuniu mais de 1.500 participantes entre executivos, distribuidoras, fabricantes, startups, especialistas e representantes de órgãos reguladores. Além da projeção para o setor, empresas aproveitaram o congresso para detalhar seus próprios planos de investimentos.

CPFL Energia prevê R$ 25 bilhões até 2030
Durante um dos painéis do congresso, o CEO da CPFL Energia, Gustavo Estrella, anunciou que a companhia investirá R$ 25 bilhões até 2030 na modernização da infraestrutura elétrica e na digitalização das operações.
Segundo o executivo, os investimentos já vêm promovendo mudanças importantes na configuração das redes da empresa. Um dos exemplos apresentados foi a concessionária RGE, no Rio Grande do Sul, onde a substituição dos postes de madeira reduziu sua participação de 40% da rede, em 2019, para apenas 8% atualmente.
Além da renovação dos ativos físicos, os recursos também serão destinados à ampliação da automação e da digitalização das redes de distribuição.

Celesc amplia ciclo de investimentos em 62%
A Celesc também apresentou seus planos durante o evento. O presidente da companhia, Edson Moritz, informou que a distribuidora investirá R$ 5,7 bilhões entre 2023 e 2026, montante cerca de 62% superior ao registrado no ciclo anterior.
Os recursos serão direcionados principalmente para a expansão e modernização das redes de distribuição, construção de subestações e reforço da infraestrutura elétrica para atender ao crescimento da demanda em Santa Catarina.
Segundo Moritz, parte significativa dos investimentos também será destinada ao fortalecimento do atendimento às áreas rurais, acompanhando o avanço do agronegócio no estado.
Modernização ganha protagonismo na distribuição
Os anúncios realizados durante o CIDE reforçam uma tendência já observada no setor elétrico: o aumento dos investimentos em infraestrutura, automação e digitalização das redes de distribuição.
Com desafios cada vez maiores relacionados à integração da geração distribuída, à resiliência frente aos eventos climáticos extremos e ao crescimento da demanda por energia, as distribuidoras vêm acelerando seus planos de modernização para garantir maior confiabilidade, eficiência operacional e qualidade no fornecimento de energia aos consumidores.